Guarda Chuvas, Bá e Epifania

Essa semana passada eu li Umbrella Academy. Fiquei CHAPADO!
O roteiro e os personagens são cativantes, tanto pela personalidade quanto pelo magnífico Character Design do brasileiríssimo Gabriel Bá, um dos ponta-de-lança do quadrinho nacional na atualidade. Os diálogos do roteirista/músico Gerard Way são sagazes, precisos, cortantes, e concisos como uma boa HQ deve ser. Sacadas boas de tramas e reviravoltas, sem precisar ser pirotécnico ou desnecessariamente engenhoso. Violência, drama e humor são homeopaticamente dosados para surpreender o leitor num mergulho imediato no mundo insano da academia do inglês misterioso e seus garotos-prodígio. No fim da leitura, o que fica são pontas soltas, estranhamente gostosas, nas quais os fãs depositam ardentes esperanças de serem agraciados, num futuro próximo, com uma série em sequência contando mais desventuras desse super-grupo.
mas Bah
Mas o que me derrubou da cadeira foi o domínio do Bá em conduzir a história. Antes de ler essa HQ, vi comentários sobre ele se portar como um “quase-Mignola”. Me surpreendi ao ver que esse comentário não era nem um pouco exagerado. Dinâmica, escolha de enquadramentos, expressão dos personagens, composições e o controle do clima da página como um todo. E tudo isso com uma arte aparentemente “simples”, cartunesca, mas dotada de um vigor explicável apenas pelo deleite da leitura.
Lasquinha do Quarta-Feira

Lasquinha da página que fiz logo depois de ler.

Aquilo me causou um impacto considerável. “Porque essa arte é tão linda?”, matutava eu. Daí a epifania: o mais IMPORTANTE é a NARRATIVA! NARRATIVA! STORY TELLING!!! Parece embaraçoso, e estranho dizer “eu já sabia disso”, mas algo mais deu um clique na minha mente. Nas páginas que eu produzi em seguida eu senti uma coisa diferente. Algo que melhorou o todo. Não sei se será perceptível para o leitor, mas só de eu encarar meu próprio traço de forma diferente, positiva e otimizada, acho que a obra só tem a melhorar.
Anúncios